segunda-feira, 2 de julho de 2007

Inquietação...

Gosto do meu país!...Sinto-me na necessidade de o escrever porque, sendo obviamente verdade, as peripécias adiante escritas e descritas poderiam levar a pensar o contrário. Aliás, é precisamente por gostar de Portugal que me preocupo com quotidiano deste cantinho!!!
Escrevo também, e para não deixar dúvidas a ninguém, que aprecio a orientação política deste governo. Agrada-me o conceito de esquerda reformista...
Estes dois pontos prévios permitem ao leitor ter uma noção de quão grande é a minha tristeza e desilusão perante os factos abaixo relatados.
Desde o início de Maio que a imprensa tem dado eco àquilo que eu chamo o "poder despudorado". Este não é mais do que o exercício de autoridade "política" de uma forma indiscriminada e perfeitamente irracional, digna de uma ditadura militar da américa latina...senão vejamos:
- começemos pelo caso Charrua, no qual um professor em funções na DREN terá "gozado" com as (des)habilidades académicas do nosso Primeiro, usando para isso alguns termos mais grosseiros. Consequência? Afastamento imediato do cargo e processo disciplinar cujo despacho de acusação não parece mais do que um relatório de um qualquer "pulha pidesco" (http://downloads.officeshare.pt/expressoonline/pdf/Despachodeacusacao.pdf). Convém referir que o relator deste despacho é um jurista ao serviço da DREN e que está numa situação de forte dependência em relação a Margarida Moreira, senhora directora da DREN, e responsável directa pelo afastamento deste docente.
- Mais recentemente, e ainda pelo Norte de Portugal, um colega meu (de profissão, e não, não somos prostitutos!), e com alguma piada, digo eu, pegou nas palavras ditas pelo próprio Ministro da Saúde (eu sei meninos, não é grande coisa mas é o meu "chefe" e com tal tenho q me conter nos adjectivos...) - (sic) "Nunca entrei num SAP" - e colou-as, sob forma de fotocópia, na parede do seu gabinete, acrescentando alguns comentários, para mim, bastante lógicos - se o ministro do ramo não recorre aos SAP porque é q os utentes devem recorrer? Se o ministro não tem confiança em algo que ele próprio, em última análise, dirige, porque è que os utentes devem ter? Qual foi a consequência? Afastamento da directora do Centro de Saúde em questão por não ter mandado retirar a referida fotocópia, e como tal, ter quebrado, e mais uma vez, o príncipio de lealdade.
- Hoje mesmo, e já sem grande espanto, ouço a espantosa notícia que a Sra. Coordenadora da Sub-região de Saúde de Castelo Branco emitiu uma nota interna que diz "apenas" isto: "...a correspondência recebida endereçada directamente a determinados funcionários ou ao cuidado dos mesmos será aberta na Coordenação, desde que oriunda de qualquer serviço público ou outro..." (tomei a liberdade de sublinhar o mais relevante...se é que existe alguma coisa relevante em algo tão abjecto...)!!!
Pois é meus caros, a coisa não está fácil. Parece que recuámos 50 anos e estamos em pleno Estado Novo. Lia há uns tempos no "blog vizinho" algo escrito por um dos "co-bloggers" do À Mesa da Topázio": "...Vivemos num País que 48 anos de obscurantismo e ditadura produziram marcas que perduram perenes na sociedade." Embora escrito noutro contexto, esta frase não poderia ser mais verdadeira para relatar e caracterizar estes tempos em que vivemos! Acrescento contudo que 30 anos de democracia já deveriam ser suficientes para que estes laivos de absolutismo tivessem ido pela retrete abaixo, fossemos nós uma sociedade com maior iniciativa e espírito crítico...
Talvez sejam "apenas" vícios de uma maioria absoluta, e que desapareçam em 2009...sei lá!!!

2 comentários:

PanKreas disse...

A "Lei da Força" não é mais que:
- falta de confiança;
- falta de sabedoria;
- falta de conhecimento;
- falta de experiência;
- falta de segurança;

Resumindo...temos falta de um líder!

vermelho disse...

Concordo em absoluto com este excelente artigo do Pachulico, que faz o favor de me citar (o que deveras me lisonjeou).
Lastimo não dispôr do tempo que este artigo e o seu autor merecem para ensaiar um comentário mais profundo.
abraço.